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História da Revista Bares e Restaurantes

Por volta de 1996, o setor de bares e restaurantes era vítima de fiscalizações arbitrarias e legislações onerosas, particularmente em São Paulo, onde o então prefeito, Paulo Maluf, perseguia sistematicamente os estabelecimentos através da Secretaria de Higiene, Delegacia do Consumidor (DECON), leis antitabagistas e etc.

Era evidente os objetivos políticos e demagógicos da perseguição, pois com isso o prefeito passava por paladino do consumidor e a população esquecia os principais problemas, muito mais graves, relacionados a educação, saúde, segurança, habitação, transporte, poluíção, trânsito e etc. As visitas da fiscalização só iam às melhores casas de São Paulo, aquelas em que o menor deslize davam manchetes de jornais e sempre acompanhadas da polícia e de jornalistas. Quando não havia deslizes, a fiscalização os criava para que os jornalistas não perdessem a viagem.

Ante a omissão do sindicato do setor, os empresários fortaleceram a ABREDI (Associação de Bares e Restaurantes Diferenciados). A entidade foi criada em 1994 para enfrentar as pretensões do Governo Federal, que impunha o Plano Cruzado; pelas normas desse Plano, os bares e restaurantes, mesmo os sofisticados, tinham que vender seus produtos, inclusive cerveja e refrigerantes, a preços tabelados, os mesmos, por exemplo, dos supermercados.

Para potencializar a ação da ABREDI, hoje ABRASEL, o empresário Percival Maricato, então proprietário de restaurantes, bares e casas noturnas (Restaurante Danton, Cervejaria Continental, Bar Avenida e etc) presidente e fundador da entidade, advogado e escritor, abriu mais duas frentes de luta: a jurídica, pela qual ajuizou 36 mandados de segurança contra o prefeito, e a de comunicação, criando a Revista Bares e Restaurantes (RBR). O prefeito respondeu, perseguindo suas casas, fechando uma delas, conseguindo indiciá-lo em inquéritos policiais, mas a luta seria vencida pela ABREDI, com todas as ações do prefeito sendo anuladas pela Justiça.

A RBR foi importantíssima nessa luta. Ao mesmo tempo que informava e qualificava o empresário do setor, procurava esclarecer seus direitos, chamava-o para a luta e levantava sua auto estima. Na medida em que era distribuída a entidades de todo o país, além de políticos sérios, jornalistas importantes, fornecedores, chefs, mídias alternativas e lideranças, passou a servir como meio de denúncia das arbitrariedades e de ações demagógicas ao mesmo tempo que divulgava os benefícios que a atividade do setor gerava para a sociedade: a maior geradora de empregos, prestação de serviço a milhões de brasileiros, a mais procurada e mais bem avaliada atração turística, opção de lazer das mais procuradas pelos jovens, mecanismo de ascensão social de trabalhadores, escola de empreendedorismo, importante na formação do PIB e na arrecadação de tributos, entre outras.

Os “experts” do setor editorial diziam na época que ela não teria um segundo número, depois, que não duraria um ano, pois não havia nenhum caso de revista com objetivos corporativos que tivesse durado sem o respaldo financeiro do estado ou de uma entidade com muito dinheiro.

No entanto, a Bares e Restaurantes fez 10 anos e 50 edições publicadas até 2006, quando a ABRASEL assumiu a publicação e a oficializou como porta-voz da entidade.

A RBR durante seus anos todos, a revista foi importante na consolidação da entidade, em descobrir talentos (foi a primeira a apontar chefs revelações como, por exemplo, Alex Atala), ressaltar a importância da gastronomia para o desenvolvimento econômico nacional, especialmente o turismo, ao debater com profundidade questões relevantes para o segmento.

Ao contrário, porém, de apenas apontar o lado bom, de reconhecer quem merece, de dizer que ser empresário era facil, a RBR se destacou pela crítica contundente ao que estava errado, sem se preocupar pelos prejuízos que isso iria prejudicar a sua parte comercial. Fez críticas merecidas a políticos demagogos, às abusivas comissões cobradas por empresas de tíquetes e cartões de créditos, à formação e a política monopolista da Ambev entre outras. As reportagens sobre a Lei Seca, o fechamento prematuro dos bares e o antitabagismo demonstravam essa assertiva.

Talvez seja até por isso que se tornou “case” editorial. Os proprietários de bares e restaurantes reconheceram-na, identificando-se com elas. Muitos passaram a assiná-la, indicá-la aos colegas, comprar os produtos anunciados, o que foi trazendo novos anúncios de empresas parceiras, fortalecendo a revista. Na medida em que ela passou a chegar a todos os estados do país, divulgou a ABRASEL como entidade dos empresários, combativa, transparente, democrática, eficiente, fortalecendo também a esta, que hoje está implantada em cada canto do Brasil.

As análises e reportagens sempre foram sérias, profundas e informativas. Não repetem o óbvio ou os jornais comuns, não se limitam a mostrar fotos e apresentar receitas com fotos bonitas, Nada se fez sem pesquisas, buscas, sob o conceito de ouvir as partes envolvidas. E assim continuará a ser, pelas mais de 60 páginas de matérias e reportagens que contam a história do segmento.

 

Informações

Caro leitor, a revista Bares & Restaurantes irá responder as dúvidas e sugestões referentes a todo o seu conteúdo, além de questões relacionadas ao setor, envie e-mails para: atendimento@revistabareserestau
rantes.com.br

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